É interessante: ontem, quando escrevi sobre o E., notei que quando ele era o Alexsander, ele se mostrava de verdade dependente, carinhoso, meio mimado. Eu não percebia isso na época porque tudo tinha que ser no tempo dele. Compreendo que sair de um casamento como o que ele tinha era difícil, mas o nosso vínculo não era a solução para todos os problemas.
De fato, todos nós temos uma máscara social, mas há quem não assuma isso de jeito nenhum e viva sustentando uma armadura frágil. Escrevo aqui para poder expurgar meus fantasmas, algo que psicólogo nenhum conseguiu fazer por mim (acho que a abordagem TCC não me serve, afinal). Não nego que gostava da intensidade do “Alexsander”, mas, ao mesmo tempo, percebi uma certa hipocrisia nele. Esse pensamento me veio enquanto eu lembrava da música do Alien e a associei automaticamente ao E. Por mais que o Alexsander seja um alter ego dele, o E. é mais ele do que ele próprio. E bem, ele se mostrou para mim.
You let me know where I stood
Kept me around, it looked good
Love from a distance nice and safe
(...)I found a love I needed for so long
You realized, oh you been so wrong
Your revelation came too late to count
Remember
Esses dois trechos da música refletem exatamente o que foi o meu vínculo com o E. e essas falas não são minhas; são dele, única e simplesmente, enquanto usava a máscara de Alexsander. Eu não sou o tipo de pessoa que, ao ponderar sobre alguém, esconde de si mesma quem o outro é. Dou chances para a mudança, pois todos nós merecemos isso. Mas como dar o braço a torcer para alguém que não faz isso por si mesmo?
Ele poderia ter dito o que sentia enquanto E., poderia ter dito que me queria ao seu lado e que não queria apenas minha amizade. Mas o orgulho o manteve ali, preso àquele personagem de pessoa resolvida, segura e forte. Enquanto isso, o abraço longo dizia o inverso; as tentativas de me tocar mais intimamente diziam o inverso.
Escrevo para tirar essas coisas de dentro de mim. Escrevo para que, futuramente, o Allan que fez parte disso possa ler, sem que eu precise falar sobre o assunto novamente. Pois, ao contrário do meu esposo, para quem posso dizer minhas insatisfações, para o E. e para o Allan eu não posso dizer nada. Um por não me ouvir, e o outro por estar distante...
Mencionei psicólogos aqui, o que me fez lembrar da minha antiga terapeuta. De forma jocosa e sarcástica, ela me disse uma vez que 'todo mundo deve se apaixonar' por mim. É curioso como ela defendia ferreamente a abordagem dela (a TCC) ao mesmo tempo em que me atacava. Pensando bem, ela acabou projetando algo em mim e prefiro nem saber o quê. A última notícia que tive dela é que mudou totalmente o público que atende. Vai ver quer ser influenciadora; falar sobre mães narcisistas não devia estar dando mais visibilidade.
Mas prosseguindo. Acredito que estou escrevendo para me compreender e deixar tudo registrado para o Allan, já que muitas coisas aconteceram nesses anos todos de ausência dele. Quando paro para pensar sobre o E., vejo que ele foi meio que um intruso na minha vida, algo que até agora não consigo entender direito. Eu deixava claro que ele poderia ser vulnerável, mas ele não era. Vestia a armadura de cara bem resolvido, de um ser inabalável que sabia o que queria quando, no fundo, não sabia.
No fim das contas, eu só quero seguir em frente, mas quero trazer o Allan de volta. Sinto falta dele, e isso é verdadeiro. Com tudo o que me aconteceu enquanto ele esteve longe, acho que não parei para processar a sua falta. As coisas simplesmente foram acontecendo e se acumulando; fui priorizando outras pessoas e situações em vez de priorizar o que eu realmente queria.
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