Eu fiquei pensando: por que eu não voltei a ter um blog antes? De verdade, aqui eu posso ser um pouco fútil sem parecer que não tenho massa cinzenta. Olha, isso aqui é só um bookmark (como chamam mesmo?) para dar sequência ao post anterior.
Conheci Type O Negative em 2003 por causa de um namorado da época. E sabem de uma coisa? Não foi só a sonoridade que me viciou e me fez pedir o CD The Least Worst Of de aniversário pro meu irmão mais velho (que guardo até hoje). Foi a minha paixão secreta por um amigo. Como eu o achava inalcançável, descontei tudo em uma paixonite platônica pelo Peter Steele afinal, quem nunca fez isso na adolescência? Achava os dois parecidíssimos.
Eu tenho um gosto meio peculiar para homens. O Peter não é o padrão de beleza, mas a atmosfera de mistério e o jeito rústico (bem capricorniano!) despertavam algo em mim. Olhando bem, ele não era "lindo", mas tinha um borogodó que, se passasse por mim na rua hoje, eu com certeza viraria o pescoço! Tenho até hoje as fotos da Playgirl que baixei clandestinamente em 2004. A qualidade é péssima, afinal a revista era de 1995 época em que eu era só uma criança andando de bicicleta com cestinha roxa.
Enfim, blog é sobre ser você mesma e sem julgamentos. Procurem o PDF desse ensaio! Artisticamente falando, as fotos dele sozinho são ótimas, especialmente as com os lírios. E porr*, não sejamos puritanas: consumam coisas safadas, comprem vibradores e se descubram sozinhas! 🌈
E é curioso como, revisitando isso hoje, eu percebo que não era só sobre ele nem sobre o Peter, nem sobre o amigo inalcançável. Era sobre aquele momento meio confuso da vida em que a gente começa a entender desejo, estética, identidade… e mistura tudo num caldeirão meio dramático, meio intenso, meio exagerado (ok, totalmente exagerado).A música do Type O Negative virou trilha sonora de um monte de coisa que eu nem sabia nomear na época. Aquela sensação de querer ser vista, mas ao mesmo tempo se esconder. De achar tudo profundo demais às três da manhã. De romantizar o impossível só porque o possível parecia… sem graça.
E olha que engraçado: hoje eu escuto as mesmas músicas e sinto uma nostalgia quase tátil. Não é mais sobre paixão platônica ou sobre idealizar homens altos, sombrios e emocionalmente indisponíveis (amém pela evolução). É mais sobre lembrar de quem eu era e, de certo jeito, ainda sou um pouco.Porque, no fim das contas, esse “borogodó” que eu via nele talvez fosse só um espelho do que eu queria sentir. Mistério, intensidade, uma certa liberdade de não precisar ser “certinha” o tempo todo. Talvez seja por isso que essas fases ficam tão marcadas: elas mostram versões da gente que ainda existem, só que mais lapidadas.
E sobre o blog… acho que é isso, né? Um espaço pra revisitar essas versões sem vergonha. Pra rir do próprio drama, pra assumir os crushes questionáveis, pra falar besteira com um certo carinho intelectual porque sim, dá pra ser profunda e fútil na mesma frase.
Aliás, talvez seja exatamente isso que torna tudo mais interessante.
Então fica aqui meu lembrete pessoal (e público, já que aparentemente voltei a blogar): nunca subestimar o poder de uma fase meio gótica, um CD gasto e uma paixão mal resolvida. Às vezes é daí que saem as melhores histórias e, com sorte, as versões mais honestas da gente.
Sobre a revista Playgirl do Pedrão Estilo, aqui ó




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